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Abril é caminho!

  • Foto do escritor: Lúcia Azevedo Gomes
    Lúcia Azevedo Gomes
  • 23 de abr.
  • 3 min de leitura

Para muitos de nós, o 25 de Abril chega em memórias e em imagens a preto e branco: histórias dos avós sobre a PIDE e sobre o que era viver sem liberdade, relatos sobre o primeiro voto e vídeos antigos dos tanques no Terreiro do Paço. Essas imagens fazem parte da nossa identidade coletiva, lembram-nos de onde viemos e do que foi necessário para que vivêssemos num país livre. São fragmentos de um tempo que não vivemos, mas que molda profundamente o país em que crescemos. São testemunhos de coragem, resiliência e persistência. Mas, em 2026, celebrar Abril não pode ser apenas olhar para trás. A Liberdade não é uma peça de museu. A Liberdade precisa de ser cuidada todos os dias!


Crescemos num país onde podemos falar livremente, onde não existe censura nem polícia política. Para muitos, isso parece tão natural que quase se esquece que nem sempre foi assim. Mas viver em democracia, não a torna garantida. A história mostra-nos que nenhum regime democrático é intocável, e que basta um momento de distração, de desmobilização ou de cansaço para que discursos autoritários encontrem espaço para crescer. Nos últimos anos, têm ganho espaço narrativas que apresentam um “Portugal de antigamente” como resposta aos desafios de hoje. E há quem procure pintar esse passado com cores que ele nunca teve, um passado marcado pelo exílio, pela desigualdade e por portas fechadas a quem ousava pensar diferente.


Esse revisionismo não é inocente. Ele tenta transformar a frustração legítima de quem sente que o país não lhes dá respostas numa nostalgia fabricada, que promete soluções simples para problemas complexos. Mas não há liberdade no retrocesso. Não há futuro num país que abdica da memória. E não há justiça social num modelo que, no passado, exclui tantos e tantas. Por isso, defender Abril, é também desmontar estas narrativas, explicar porque são perigosas e mostrar que a democracia não falhou, o que falhou foi a coragem de a aprofundar!


Vivemos rodeados de polarização, de discursos fáceis, e promessas de soluções mágicas. É tentar desligar, afastar-nos, cair no “não vale a pena”, “são todos iguais”, “não muda nada”. É fácil desistir. Mas o 25 de Abril foi exatamente o contrário disso: foi acreditar que o país podia mudar! Foi acreditar que a participação transforma, que a mobilização abre portas, que a esperança é uma força política! E essa lição continua atual. Se há algo que Abril nos ensinou, é que a empatia nunca construiu nada, quem constrói o futuro são aqueles que se levantam, que se organizam, que se comprometem. A democracia precisa de pessoas que não desistem, que não se conformem e que não aceitem o medo.


A Juventude Socialista assume a responsabilidade de continuar esse caminho. Não apenas defender o que foi conquistado, mas ampliar essas conquistas. Ser barreira contra o medo e ponte para um país onde ninguém tenha de sair para encontrar futuro. Ser voz ativa na defesa de uma democracia que não se limita ao voto, mas que se vive todos os dias: na escola, no trabalho, na rua, nos espaços onde se decide e nos espaços onde se sonha! A democracia não é apenas um sistema político, é uma cultura, uma prática, uma forma de estar no mundo. É a capacidade de ouvir o outro, de contruir em conjunto, de acreditar que o país pode ser mais justo, mais igual e mais livre.


O cravo que seguramos hoje, não é apenas memória, é compromisso! É a lembrança de que a liberdade não se esgota no passado e de que a Liberdade não se defende sozinha. É símbolo de que cada geração tem o seu próprio 25 de Abril para cumprir. Enquanto houver alguém impedido de cumprir o seu potencial, a revolução continua por terminar. Enquanto houver desigualdade, discriminação, precariedade ou exclusão, Abril continua a chamar por nós! Abril é, e sempre será, um convite à ação!


Quando dizemos que Abril é Caminho, dizemos que é responsabilidade, ação, futuro e compromisso. Dizemos que não aceitamos que a Liberdade seja relativizada, que os direitos sejam negociáveis ou que a democracia seja tratada como um detalhe. Dizemos que queremos um país onde cada pessoa possa viver sem medos e sem barreiras.


Abril é agora. Abril é todos os dias. Abril é nosso!

 
 
 

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